Comércio exterior deve ser a principal alavanca na recuperação da economia

Publicado em: 30/07/2020
Atualizado em: 30/07/2020, 19:59

Wilson Andrade

O Brasil tem recursos naturais, terras disponíveis, clima bom e variado, produtores e empresários capacitados, mas não nos desenvolveremos sozinhos. Sem as trocas comerciais, tecnologias, insumos, financiamentos e investidores estrangeiros continuaremos onde estamos.

O Brasil é um país fechado, com taxa de internacionalização de 20%, sendo que países desenvolvidos estão acima de 50%. Somos a 8ª economia do mundo, mas no ranking de comércio internacional ocupamos a 28ª posição. Há 15 anos Brasil e China respondiam por 1%, cada, do montante do comércio mundial. Hoje, o Brasil continua com seu 1% e a China com 15%.

Nossas vendas estão concentradas em poucas empresas, destinos e produtos. É preciso diversificar e verticalizar as cadeias produtivas para agregar valor aos produtos. Para isso são necessários investimentos em máquinas, insumos e tecnologias; mas nossa poupança pública e privada não são suficientes. Precisamos buscar estes recursos com investidores e financiadores estrangeiros.

De acordo com pesquisa da CNI sobre o impacto da crise da Covid-19 em relação às exportações, comparando o período de janeiro a junho de 2019 e 2020, 57% das empresas foram afetadas; 32% não sofreram impacto e 8% tiveram crescimento nas vendas. Entre os setores que cresceram, citamos o de base florestal porque houve aumento na demanda por produtos essenciais e o segmento é fabricante de celulose&papel (presentes em embalagens, material hospitalar e papéis para fins sanitários).

As exportações brasileiras caíram 6% e as importações, 5%. Nossas vendas para os EUA tiveram redução de 32%; para a Europa, 11%; e de 25% para a América do Sul. Já as exportações para a Ásia cresceram 9% (15% para a China).

Vamos dar atenção aos países que estão crescendo e que vão continuar precisando de produtos do Brasil. Na retomada de crescimento, alguns países vão optar por abrir suas economias e devemos segui-los. Quanto aos demais, precisamos ter preço e qualidade para vencer o protecionismo. Na discussão em torno de manufaturados x produtos básicos, devemos lembrar que eles são complementares e ambos usam avançada tecnologia (calçado é couro; indústria têxtil é algodão…).

O setor de comércio exterior brasileiro quer – e precisa – de maior agilidade, desoneração de custos e impostos, menos burocracia, mais reformas no Congresso e infraestrutura. Precisamos de menos política e mais negócios!

O “novo novo” não vai ser tão diferente assim. A globalização voltará a crescer e já podemos perceber dois efeitos com a pandemia: o crescimento do mundo digital e tecnológico e o desenvolvimento da pauta do mundo verde (meio ambiente e clima). As oportunidades estão aí e o Brasil precisa estar atento para não continuar parado, fechado e aquém da posição que poderia já estar ocupando.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/

Data da publicação: 22 de julho de 2020.

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