O crédito fiscal na importação ocupa um papel central na Reforma Tributária. De forma geral, a adoção de um modelo baseado na não cumulatividade plena altera profundamente a forma como empresas importadoras recuperam tributos pagos na entrada de mercadorias e serviços no Brasil.
Nesse novo cenário, essa mudança cria uma das maiores oportunidades do sistema tributário reformulado. Ao mesmo tempo, porém, ela também impõe riscos relevantes às empresas que não estruturam corretamente seus processos fiscais, contábeis e operacionais, como demonstra o guia técnico e estratégico sobre Reforma Tributária na Importação, que consolida os fundamentos do novo modelo.
Assim, este artigo explica como funciona o crédito fiscal na importação, quais regras sustentam a não cumulatividade e o que as empresas precisam fazer para aproveitar esse benefício com segurança.
O que é crédito fiscal na importação
O crédito fiscal na importação representa o direito da empresa de compensar, nas etapas seguintes da cadeia econômica, os tributos pagos no momento da entrada da mercadoria no país.
No novo sistema tributário, esse crédito se vincula diretamente à CBS e ao IBS, que seguem a lógica do imposto sobre valor agregado. Dessa forma, o tributo pago na importação deixa de representar custo definitivo, desde que a empresa cumpra os requisitos legais previstos na Reforma Tributária na Importação.
Não cumulatividade: o princípio que sustenta o novo modelo
A não cumulatividade sustenta toda a lógica do novo sistema. Diferentemente do modelo anterior, marcado por exceções e limitações, a Reforma Tributária adota uma abordagem mais ampla e uniforme.
Na prática, isso significa que todo tributo pago gera direito a crédito. Além disso, o crédito assume natureza financeira e não depende da destinação física do bem. Como resultado, a empresa pode compensar esse crédito ao longo da cadeia econômica, evitando a incidência em cascata e aumentando a transparência tributária.
Quais tributos geram crédito na importação
No contexto da Reforma Tributária, a legislação garante crédito fiscal na importação principalmente sobre a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
Esses créditos surgem no momento do desembaraço aduaneiro, desde que a empresa registre, classifique e parametrize corretamente a operação. Esse funcionamento se conecta diretamente à forma como CBS e IBS na importação funcionam na prática, especialmente na integração entre sistemas fiscais e aduaneiros.
Por outro lado, o Imposto Seletivo não gera crédito. Portanto, empresas que importam produtos sujeitos a esse tributo precisam considerar esse impacto na formação de preços e nas margens.
Como o crédito fiscal é gerado na prática
A geração do crédito fiscal na importação ocorre de forma automatizada, pois os sistemas fiscais e aduaneiros se comunicam diretamente. No entanto, essa automação depende da consistência das informações declaradas.
Para validar o crédito, a empresa precisa garantir que a classificação fiscal (NCM) esteja correta, que os valores coincidam entre documentos fiscais e aduaneiros e que o cadastro do produto esteja consistente no ERP. Caso contrário, o Fisco pode glosar total ou parcialmente o crédito.
Utilização do crédito fiscal ao longo da cadeia
Após a geração, a empresa pode utilizar o crédito fiscal na importação para compensar débitos de CBS e IBS nas etapas seguintes da cadeia econômica.
Isso inclui a venda de mercadorias importadas, a industrialização com posterior comercialização e a prestação de serviços vinculados à atividade empresarial. Dessa forma, o novo modelo amplia o potencial de recuperação de tributos e melhora o planejamento tributário.
Crédito financeiro e não cumulatividade: o que mudou
A Reforma Tributária introduz o crédito financeiro como uma de suas principais inovações. No sistema anterior, o crédito dependia, muitas vezes, da destinação física do bem, o que gerava litígios e restrições.
Agora, o crédito não depende do uso físico do produto. Além disso, despesas administrativas também podem gerar crédito, pois o sistema considera a operação econômica como um todo. Consequentemente, o direito ao crédito se amplia, enquanto o nível de controle exigido aumenta.
Riscos de glosa do crédito fiscal na importação
Apesar da ampliação do direito ao crédito, os riscos de glosa permanecem. Inclusive, com a digitalização dos processos e o uso intensivo de cruzamento de dados, a fiscalização tende a se tornar mais precisa.
Entre os principais riscos estão erros na classificação fiscal, divergências entre nota fiscal e documentos aduaneiros, parametrização incorreta do ERP e falta de comprovação da operação. Esses riscos estão diretamente relacionados aos impactos da Reforma Tributária para importadores, especialmente no que diz respeito a compliance e governança fiscal.
Integração entre crédito fiscal e sistemas empresariais
A correta gestão do crédito fiscal na importação exige integração entre diferentes áreas da empresa. Ou seja, não se trata apenas de uma questão fiscal.
Áreas fiscal, contábil, de comércio exterior e de tecnologia da informação precisam atuar de forma integrada. Sem essa integração, o risco de inconsistências, glosas e perdas financeiras aumenta de maneira significativa.
Crédito fiscal e impacto no fluxo de caixa
O aproveitamento adequado do crédito fiscal na importação impacta diretamente o fluxo de caixa da empresa. Quando bem utilizado, o tributo deixa de ser custo e passa a ser um ativo recuperável, melhorando a previsibilidade financeira.
Por outro lado, créditos não aproveitados ou glosados representam custo direto, afetando margens, competitividade e capacidade de investimento, como já analisado no conteúdo sobre impactos da Reforma Tributária para importadores.
Boas práticas para garantir o aproveitamento do crédito
Para minimizar riscos e maximizar benefícios, algumas boas práticas são fundamentais. Entre elas estão a revisão periódica da classificação fiscal, a manutenção de cadastros de produtos atualizados, a integração do ERP com sistemas aduaneiros, a realização de auditorias fiscais internas e o treinamento das equipes envolvidas.
Com isso, as empresas reduzem erros operacionais e aumentam a segurança no uso do crédito fiscal.
O crédito fiscal na importação é um dos pilares do novo sistema tributário brasileiro. Quando bem gerenciado, ele reduz custos, melhora o fluxo de caixa e aumenta a competitividade das empresas importadoras.
No entanto, esse benefício exige controle, governança e integração de sistemas. Assim, empresas que se antecipam e estruturam seus processos conseguem transformar a não cumulatividade em vantagem estratégica, enquanto aquelas que ignoram os detalhes técnicos ficam expostas a riscos fiscais e financeiros.

